the same old fears



Meu erro sempre foi achar que eu era alguma coisa. A amiga que escuta a todos. A filha que não deu problemas pros pais. A namorada que não cismava com nada. A mulher que não se preocupa​ com padrões, casos e acasos. A profissional ética. ​

mas a verdade é que eu não sou
​ e nunca fui​
nada.

​eu não tenho ninguém do meu lado, coisa que sempre quis ter, mas eu finalmente me sinto bem.

assim como a brisa gelada está aparecendo nos corredores do trabalho, o sol já deixou de me aquecer a muito tempo. meus olhos fitam tal brisa, a cada dia dissolvendo cada pedaço quente do meu corpo.

não me restou nada.

aqui, nesses corredores gelados, as pessoas só sabem o meu nome, mas nunca viram o que há dentro da minha essência. no fundo, acho que ninguém nunca soube nem nunca saberá.

e é nessas horas que eu lembro que eu realmente não sou nada.

porque das outras vezes, eu tinha alguém pra me fazer companhia, seja num cinema ou numa cafeteria. e agora eu nunca mais fui ao cinema com alguém; agora eu tenho que me rastejar para aguentar o peso de uma xícara de café sozinha

eu já não procuro mais nada, estou tão fraca e ainda tenho todos os meus medos impregnados no meu coração. as pessoas cada vez mais me acusam de suas frustrações, e eu tento não me comover. mas eu me sinto culpada.

porque eu sei que não sou nada.

às vezes sinto falta dos​ meus livros da infância, e dos meus amigos
dos amores e de amar

mas quanto mais tempo eu demorar para me desfazer dessas mazelas, mais rápido estarei perto de morrer. eu não estou dizendo que sofro mais que uns, a questão é que eu também existo

mesmo sabendo que eu não sou nada.

nos últimos dias fui para bares, e nada era como parecia ser. cada copo de cerveja, um peso a mais nos meus ombros.

incansáveis mensagens me cobrando atenção e eu só conseguia pensar em como, às vezes, a vida é difícil de olhar. me lembrei de quando eu achava que a felicidade existia, mas aí reparei como a vida é quase impossível de suportar.

quando voltava para casa, os velhos medos voltaram, me fazendo lembrar que mesmo sabendo que a vida um dia vai embora, eu ainda não estou pronta pra perder tudo de novo.

eu gostaria de dizer que amarei, que vou voltar um dia a ser quem eu era,
porque todos esses sentimentos e dúvidas e medos me assombram

e apesar de ignorar a dor
e sobreviver aos dias

eu ainda não estou pronta pra encarar a vida normalmente.

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