Não vou mentir, na verdade.

Não vou mentir que esperei sua ligação naquelas noites em que o tempo custava a passar. Na verdade, se passava o tempo não importava também: eu conferia para ver se havia tido alguma vontade miníma de ligar. Muito mais do que qualquer palavra bonitinha ou safada que você costuma dizer, talvez além do silêncio e da sua voz de conquistador barato. Queria mesmo sentir a sua presença, mas não de maneira carinhosa ou de forma a me faltar o ar presa a teu compasso. Talvez seria apenas mais um jogo do que um uso. Ou usada para um jogo. Ou nem isso nem aquilo. A verdade é que eu sinto muito. Muito todas as vezes que te procuro e você escapa sem rodeios. Muito quando te espero mais dentro de mim. Muito mais ainda quando pede um abraço e eu tento recusar para não sentir sua falta depois. Mas isso tudo é bobagem. Não te quero todos os dias. Nem todas as horas. Eu só te quero. Confuso, conciso, complexo. Mas ao mesmo tempo, não mais. Não vou mentir que esperar demais estraga. Estraga por você conhecer outras coisas, pessoas e situações melhores que as outras. Na verdade, esperar também é bom: o bom da espera é a realização no fim. Mas que fim? Fim este que eu esqueci que vivo, que é mais um domingo só. E do que adiantou toda essa espera? Que eu não posso querer mais do que podem me dar. Nem eu dar mais do que eu tenho. Eu não tenho nada, você também não tem. Mas não vou mentir que te quero, não só por ser assim tão confuso e falante. Na verdade, por ser você.

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