Dezenove-oito de dezembro

Lembro da primeira vez que meus olhos enxergaram suas bochechas. Foi a coisa mais linda que já vivi nesses 22 anos de vida: suas bochechas vermelhas, seu cabelo preto e um sorriso de canto de boca impossível de se esquecer. Nesse pequeno segundo de um êxtase que não dá para se explicar, lembro que senti a mais completa felicidade de todo meu ser. Era como se a chuva que caía lá fora inundasse meu coração com bons pressentimentos das coisas que estariam por vir.

Quando me dei conta do amor que sentia pelos seus olhos, pela sua mão quentinha e o jeito que sorria, era como se todo o mundo deixasse de existir; todo e qualquer lugar com você era incrível. Cada passo que dávamos era completo. Cada beijo, o melhor. Cada abraço, cada carinho e cada dia ao seu lado, eram as melhores coisas que alguém poderia ter na vida. E olha só que sorte eu tive: esse alguém era eu.

Ainda sinto os dias que não passaram para nós. Foram tão poucos dias, contados no papel, mas foram os melhores guardados no meu peito. Conhecer você foi a melhor coisa da minha vida. Foi a cura para todas as minhas inconstâncias. Ao seu lado pude ser a menina capaz de sobrevoar o próprio abismo; Suavizou todo o meu pecado. E conseguiu tudo de mim, não entendo, mas conseguiu. Conseguiu até o que eu não imagino: todas as minhas chances, cores e ritmos.

Parece uma piada: eu ainda volto para nós, todos os dias que me perco em pensamentos. A sintonia que permanecia em nosso caminho era mais bonita do que a chuva que insistia em cair quando estávamos juntos. Eu volto para o bem que você me fazia, quando eu apenas sobrevivia a mais um dia de loucuras intermináveis. Eu volto para teu rosto, quando chorava ao se abrir a cada sábado que ficávamos, finalmente, sozinhos em casa. Era como se o Sol que não entrava pela janela, brilhasse em suas mãos quentes e aconchegantes, me fazendo crer que a vida podia, sim, ser muito melhor. Eu volto para os nossos passeios à esmo, em segundos que pareciam não ter fim. Dançávamos a nossa melodia predileta a cada instante em que o mundo parava de rodar. Era como se o nosso presente fosse sempre uma celebração de boas-vindas. Eu volto para as músicas que me fez gostar, pras poesias que me fez decorar para me falar ao pé do ouvido, quando tudo já tinha desabado lá fora. Eu volto para seu jeito romântico-fofo de ser, quando me fazia lembrar da pessoa boa que eu era para você. E agora, agorinha, eu vejo você voltar pra casa ao meu lado e sinto uma paz que ninguém nunca soube me causar. É uma vontade de ir além, de estar e permanecer. De ser. Der oferecer tudo, mesmo não tendo nada.

Apesar de não saber no que vai dar e mesmo com toda dor e as incertezas do que está por vir,
meu coração sabe que (ainda)
é teu

E pensar que hoje faz
​oito
anos desde a primeira vez que te beijei os olhos;

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