sobre o ser nada;



Eu queria alguém que não fosse igual. Ou você acha que eu só me casei para sair da casa dos meus pais e viver a tão sonhada "liberdade"? De todas as coisas boas que aconteceram na minha vida, certamente, te conhecer foi a melhor delas. Passamos dias incríveis quando éramos novos e durante o pré-casamento. Mas, de fato, casar é ver aquilo que o outro não era até então. É conhecer as manias, os vícios, o melhor e o pior do outro. É se conhecer, também. Entender que você, agora, é a louca da limpeza que até então era algo banal na sua lista de coisas-para-fazer-durante-a-semana. Eu não precisava disso, mas eu quis. Eu quis largar mão de tudo para (re)viver esse nosso amor que só a gente sabia. Quis ser a tua paz, assim como eu quis que você continuasse sendo meu porto-seguro. Eu queria alguém que reparasse que eu existo. É claro que eu nunca fui uma pessoa notada, seja pelas amizades, pelos colegas de firma ou pelos amores (frustrados) que eu tentei viver por aí. Mas eu sempre tentei. Ou melhor: tento. Sempre quis ser alguém que trouxesse algo de novo para quem estava ao meu redor, seja uma poesia que li nos meus livros tolos ou em músicas novas que ninguém conhecia. Talvez esse seja um dos meus piores deslizes: querer ser lembrada. Quero ir contra a premissa de que vivemos e morremos Sozinhos. Todo o resto é apenas uma ilusão. E é por isso que você faz falta. Porque eu queria alguém que sentisse minha falta e trouxesse chocolates da rua quando lembrasse de mim. Eu esperava que você me surpreendesse, sendo aquele cara que eu nunca conheci antes. Que iria me esperar em casa com uma garrafa de vinho e o vídeo game ligado. Que iria ver quando eu passo na sua frente só de toalha esperando que você arranque-a e me faça crer em um estado de céu e loucura. Que iria entender quando eu preciso de carinho e atenção, tão quanto você dá a sua mãe. Mas você continua sendo o cara que me tira lágrimas dos olhos por não dizer apenas um "eu te amo" sincero. Você continua me provando que eu não sou nada e nunca serei nada. Que nada do que eu faço é bom ou suficiente. E, no fim das contas, eu me sinto assim: como um nada.


Um nada que nunca vai ser algo.

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