Carta aberta para me despedir de mim mesma




Vida,
Eu sei que as coisas terminam. Como diria um cantor que eu gosto muito, o “para sempre sempre acaba”. Mas dói pensar dessa forma. Dói saber que todos que conhecemos irão partir, que tudo o que construímos na vida será reduzido a ruínas e de que tudo, um dia, será passado mesmo. A questão é que eu nunca vou entender o motivo de nós termos que terminar uma história de 10 anos dessa forma. Com ofensas, provocações e xingamentos. Eu finjo que não me importo, finjo que está tudo bem e que eu sou forte pra caralho, mas a verdade é que eu nunca vou superar a sua perda. Talvez porque você tenha sido o cara mais incrível que já conheci. Talvez porque você tenha sido a minha direção, o meu norte, o meu porto-seguro. Talvez, só talvez, porque você tenha sido o amor da minha vida. A primeira vez que foi embora, eu senti que nunca mais poderia ser feliz de novo, que eu nunca teria forças para me reerguer: até porque, eu acabara de perder o meu melhor amigo. Mas aí você voltou. E tirou tudo de mim. Fez eu ser a menina dos 15 anos de novo, que era capaz de dar o amor para alguém. Fez eu sorrir todos os dias quando eu acordava e quando eu estava prestes a dormir. Fez eu perder meus medos bobos de uma maneira tão simples e única. Fez eu gostar de quadrinhos, de séries e coisas nerds sem sentido. Fez eu morrer de rir com as suas cosquinhas. Fez eu perdoar meu pai. Fez esquecer as coisas que me doeram. Fez eu ser a menina capaz de sobrevoar o próprio abismo. Mas a vida acontece. E as coisas terminam, como eu disse. Eu entendo, juro que entendo, que os amores foram feitos para não durarem e que a gente tem todo o direito de se apaixonar por outras pessoas no caminho. Mas como pode duas pessoas que se amam tanto não poderem ficar juntas? Como você conseguiu olhar nos meus olhos, depois de tudo o que passamos nesses anos todos, e dizer que eu estava expulsa da sua casa e do seu coração? Eu fiquei minutos com as mão esticadas para você, mas o vazio e o gelo que me deu foi o suficiente para eu aceitar a sua partida. E aprender a partir também. Apesar de saber que eu nunca vou estar pronta. Eu nunca vou saber dizer adeus a você. Nunca. Mesmo com todas as minhas inconstancias, os meus surtos e os meus choros, eu nunca vou esquecer você. Nunca vou conseguir tirar os seus olhos da minha memória. Nunca vou conseguir apagar os seus sorrisos da minha mente. Nunca vou esquecer os poemas que me escrevia. Nunca vou esquecer da nossas mudanças de música no meio do caminho e de como as suas eram mais chatas que a minha. Eu nunca, mas nunca, vou esquecer da nossa casa. Do nosso cantinho na sala. De você fumando na janela. Das nossas conchinhas diárias e da sua mão me esquentando quando eu tinha cólicas. Eu espero que saiba que tudo o que fiz até agora foi porque o amor que sinto por você é maior do que qualquer coisa nesse mundo. Eu nunca fui perfeita, mas eu tentei ser a pessoa que pudesse te salvar. Mas, no fundo, lá no fundo mesmo, eu sempre soube que você não queria ser salvo. Eu não me importava antes de ser tão errada, tão criticada e tão subestimada. E quando eu fui e realmente precisei de você, simplesmente fui abandonada. Eu rezo todos os dias para que você melhore logo e se arrepende pelo menos um pouco de tudo o que fez. Que você reconheça a grande pessoa que fui pra sua vida. Que lembre de quem era e volte a ser quem é. Porque pode passar o tempo que for, meu amor vai ser pra sempre teu.


Meu amor e saudade de sempre
(ou mais).

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