Quem me dera houvesse amor

É como todo fim tarde, eu deslizo as portas do guarda-roupas e dou de cara com a sua camisa, passada e engomada dentro dele, com o cheiro do perfume impregnando nas minhas outras roupas, na minha memória, nessas loucas horas que me pego pensando no que não deveria ter feito. É dessa parte tua que me deixa com saudades, não de amor nenhum ou de carinho qualquer. É desse teu cheiro, desse teu eu tão falante, tão certo de si. Quem me dera se fosse amor. "Não amo ninguém, parece incrível", já diria Cazuza. É tão normal lembrar dos dias que me fizeram ser, daquele ar de professor e de conquistador. Das coxas mais incríveis, do jeito desavisado e do sorriso sarcástico. Da minha vontade de viver, de crescer. Eu fecho as portas, e você fica quietinho, do modo mais lindo e encantador que eu pude conhecer, com toda a lembrança boa que me trás. E da vida que me trouxe a vida.

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1 comentários:

  1. Ana C., muito bom. Me identifiquei muito com o texto. Parabéns, Ana.

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