Sufoco


Quando a gente fica sozinho, parece que tudo fica mais claro. Tenho voltado da minha rotina, todos os dias, tentando reparar mais nas pessoas que me dão ombradas no metrô, mas não para arrumar encrenca, só pelo simples fato de reparar. De como a gente cria tanto caso para algumas coisas. Essa ombrada que recebo talvez nem seja intencional, eu nunca consegui reparar que é porque  estou em horário de pico e são paulo inteira está dentro do mesmo vagão? É de sorrir quando vê uma criança no colo da mãe e ela lhe enchendo de carinho, mesmo depois de um dia exaustivo. De reparar como as pessoas vivem nos seus mundos quando estão com fones de ouvido: parecem esquecer de tudo e de todos. Eu, por exemplo, se não me controlar até danço. Aí eu me pego pensando de que a gente se mata o tempo inteiro por questões rotineiras que nem valem a pena. Fico me perguntando se eu vou fazer a mesma coisa pro resto da vida. Acordar, me trocar, trabalhar, estudar, voltar, dormir, dar uns sorrisos, chorar as vezes. Será que vai ser assim, pra sempre? E se for? No meio disso tudo, nós ainda arranjamos tempo pra discordar de tanta coisa, de brigar, de deixar de falar, de não fazer aquela ligação por medo ou vergonha. Ainda arranjamos tempo para machucarmos uns aos outros ou até mesmo agradar, mas de uma maneira tão superficial e tão sufocada, sabe? Eu sempre tive medo de ouvir "A vida é curta demais". Cada dia que passa, eu sinto mais pavor dessa frase. Eu tenho um medo gigantesco dentro de mim. E aí, nestas horas, meus pensamentos me remetem a estas coisas: é tanta coisa por tão pouco, meu Deus. Por que eu não volto atrás das minhas decisões? Por que eu não me arrisco? Por que eu não desculpo os outros? Faço essas perguntas porque eu sei que um dia, o tempo vai ser tarde demais. E aquele arrependimento, aquela atitude mais tensa e aquela palavra não dita não terão espaço para serem repensadas. Eu posso não estar mais aqui, daqui a dez minutos. Ou eu posso estar aqui até o fim. Mas será que as pessoas que conseguiram chegar ao fim, chegaram satisfeitos? Claro que não! Ninguém nunca está satisfeito com nada. Nada. A gente só se preocupa com o agora. Não nos preocupamos em pedir desculpa, sinceramente. Em admitir que ama, perdida e loucamente alguém.  Não nos importamos em ligar para alguém pra perguntar "Tá tudo bem?". A gente só espera sentado que alguém se lembre. Ah, mas não, eu me importo, eu curti o status do fulano no facebook. Porra, essas coisas são tão passageiras, a gente briga com quem ama por causa de bobagem, procura pelo em ovo pra ter motivos pra jogar algo na cara. Daí, no fim, faz pior. E cobra da outra pessoa algo que ela mesma não consegue fazer por ela mesmo. E é isso que eu chamo de ficar sufocado. A gente só tem uma vida pra viver e fica se importando com estas coisas tão banais?! Eu sei que metade do que eu disse, eu também faço. Sei que é difícil demais perdoar, voltar atrás e amar e ser amado. Mas a gente precisa tentar. Precisa ir fundo. Cavar um buraco pras coisas do passado. Acabou? Ótimo, existe algo que se chama "Recomeço". Começou? Perfeito, existe uma coisa que se chama "Futuro". Eu só quero chegar lá na frente com um sorriso de ponta a ponta, sabendo que eu fiz por merecer. Que eu passei na vida de alguém e o fiz sorrir. Se eu souber que passei nessa vida e fiz alguém feliz, todo o resto já terá valido a pena.

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