talvez;

Têm dias que olho para as coisas que deixei escapar pelos meus dedos e tudo parece ser desesperador. As palavras são vazias. Os movimentos são vagos. Os sentimentos são cada vez mais falsos. E os meus passos em vão. Sempre me policiei para não cair de amores pelas pessoas que me cercam. Ainda me pergunto se faço as apostas certas, ao trocar a emoção pelo que julgo ser certo em minha mente. Sempre fugi das sensações que os amores poderiam me trazer, com medo do que o amanhã faz doer. Tem têm dias que me pego vagando entre a realidade e os sonhos que tenho receio de sonhar, por pura falta de coragem de enfrentar os anseios amaciados com pesares. Nunca fui uma pessoa a fim de correr atrás de outro alguém, por achar que a vida não merece ser vivida se for forçada. É aquele velho e barato clichê de que as coisas precisam acontecer de forma única e verdadeira. Caso contrário, não devo ousar tentar mudar o ciclo (natural?) delas. Eu tenho pavor de imaginar alguém ao meu lado sem vontade, ou com obrigações a serem cumpridas. Eu não quero saber respostas para as coisas que me doem. Eu não quero saber onde as pessoas estão ao invés de estarem comigo. Eu não quero pareceres. Ligações. Mensagens. Sinais de vida. Eu não quero flores. Serenatas. Promessas. Eu não preciso ouvir mentiras, porque eu não busco saber de todas as verdades escondidas no interior de cada um. Eu só queria não vender os meus olhos à dor que as pessoas me causam, mesmo que indiretamente. Sempre me guiei aos poucos, a fim de não ser um peso na vida de ninguém. Sempre fui a figurante da minha novela, embora eu estivesse presa ao meu drama-comédia que só eu poderia me livrar. Sempre deixei as horas fugirem, sem querer segurar o que não era dado com direito. Por fim, têm dias que eu olho para aqueles que, finalmente, deixei entrar em meus dias, e sinto um nó por não ter aproveitado. Por não ter amado com se o amanhã não existisse. Por não ter corrido atrás tanto quanto deveria. Por não falar as minhas vontades. Por não me deixar levar nessa valsa sem hora pra acabar. Talvez o erro seja só meu. Talvez eu deva esquecer. Talvez eu deva ser forte, segurar o choro e deixar o tempo passar.


Mas,
ainda que sem razão,
o talvez que sempre me fere, é o que meu peito sempre espera que seja, enfim,
​a possibilidade; o inevitável; o fim. ​

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