Doce

Não vou mentir: estava com muita raiva. Eu não queria que fosse assim, que partisse antes de ser bem vindo. Queria ouvir contos quaisquer, sonhos engarrafados e histórias de amor mal resolvidas. Eu queria mesmo encostar a minha cabeça no seu colo pra você afogar todos os meu medos, mandar embora toda essa rotina. Queria mais, sentar a mesa e rir de uma palavra que não sabia falar ou de alguma comida que nunca experimentei. Na verdade, eu queria me lembrar da época que andávamos de mãos dadas no meio da noite, e eu ficava maravilhada com as sombras dos nossos corpos que iam crescendo e diminuindo enquanto passávamos de baixo de algum poste de iluminação. Eu queria pedir pro tempo voltar atrás, quando eu não sabia o que era tempo, e que você me falasse o quanto era bom me ver dormir, enquanto cantasse uma música pra me fazer sonhar. Eu queria bater o dedinho do pé no sofá e que você viesse com seus dedos com toda a atenção pra fazer parar de doer. Que seja... Eu acho que quero demais. Eu acho que você não pensou quando perdeu-se por aí. Ou pensou e decidiu deixar pra lá. Tudo bem. Não há mal nenhum em querer ser outra coisa. Eu não devo julgar quem quer mudar. Mas eu só queria... Que me chamasse de doce quando eu mais precisasse dormir.

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