Enfim, alguém.

Faltavam dez minutos para a uma da madrugada, tentava me afastar de um dia sem memórias com as palavras de um ser indeciso porem, conciso. A chuva acabara de cessar e eu continuava a ouvir o barulho de água sendo derramada. André gritava. Fiquei preocupada. Mas era meu nome que chamava, desesperadamente.
- Quanto tempo passou e eu estou aqui no seu quintal. Conte-me, por que as luzes ainda estão acesas.
- Nada meu bem, só tentando sobreviver a mais um dia no modo automático.
- Rotina anda matando, pequena?
- Sim.
- Eu entendo bem como é.
- Um dia não vou ver mais nada disso André. E hoje a gente se preocupa tanto. O tempo passa, os caminhos mudam e as pessoas já não são as mesmas. E ai, no fim das contas, o que irá sobrar?
- O que sobra, querida, é a lembrança dos bons tempos e a certeza que viveu no tempo certo de todos eles.

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