Foco

Acho que não falei de você a ninguém. Talvez seja meu modo de não querer criar expectativas de algo que eu não tenho certeza. Todo mundo vive me pedindo compaixão, que eu me jogue de cabeça e que eu me deixe levar pelo sentimento. Mas que tolice. Eu já protagonizei uma história de amor. Que, diga-se de passagem, foi bem intensa. Eu não quero viver outra. Eu não quero me arrepender de novo, chorar, cobrar afeto e palavras. Eu desaprendi a fazer isso. De qualquer forma, eu sempre imaginei que se eu não me apaixonasse perdida e loucamente por alguém, eu teria como tê-lo sempre que me desse vontade. Errei. E errei feio. Eu sinto vontade, mas não realizo. Espero pela vontade alheia. Tenho plena consciência de que isso é errado. Mas eu vou fazer o quê se tudo o que eu quero não é nada do que faço? Só tenho visto meu erro, agora, agorinha mesmo. Eu te engolindo com todo prazer e você se deliciando com minhas queixas. Acho que no fundo eu sou assim porque eu sei que tudo só pode ser vivido uma vez. Na verdade, bem mais que uma vez. Mas quem me garante que depois que eu me vestir, eu vou voltar a ver teus olhos? Quem me garante que você será o mesmo a me enlouquecer na semana que vem? É um pensamento, talvez frio e calculista, mas eu não tenho forças pra ser diferente. É cômodo demais pra mim, sabe? Acho que pensam que eu sou cínica e egoísta, mas no fundo eu sei que eu tenho coração apaixonado que... tanto faz. Não quero explicar o que eu sinto, assim dessa forma. E tendo você aqui, do meu lado, é como se eu pudesse ter o mundo inteiro completando minhas vontades e queixas. É como se você transformasse todas as minhas expectativas em certezas. Eu sei que você me olha apaixonado, como se todas as vezes fossem apenas a primeira. Parece que toda vez que te abraço com medo, você me cura me dando apenas o calor dos teus braços. Mas no fim, por mais embalada no teu suor que eu esteja, eu perco o chão. E mais do que perder o chão: eu perco o foco.

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