Sobre o dia em que o fim resolveu aparecer

O domingo amanheceu com a meia luz que entrara pela janela do meu quarto. Tudo está vazio. A casa está em silêncio. A cama bem arrumada. Eu não tenho mais você aqui pra me acordar, com seu beijo na testa e seus dedos quentinhos na minha bochecha. A fantasia perdeu a cor, o brilho e o motivo pelo qual se vestir. Eu não escutei o que era de praxe: "- Benzinho, acorda". Minha mente me enlouquece, sem me deixar pensar em outra coisa a não ser você. Eu tinha tantos planos e sonhos pra nossa vida e que, agora, já não existe mais. Eu queria poder desaparecer, usar o mesmo artifício de Clementine em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Mas a vida não é tão simples assim. Foi vazio ter de acordar hoje e não ter com quem conversar. Pra quem fazer o café com leite e o pão com manteiga que eu costumava fazer. É difícil não ter pra quem falar "- Dormiu bem, amor?". Nossos braços não se entrelaçaram esta noite. A gente não brigou nem disse que se amava. É difícil ter que aceitar o fim e desaparecer da nossa rotina e da vida que tínhamos juntos. Eu desaprendi a andar, a falar com as pessoas e a sorrir sem motivos. O tempo parou e eu não sei voltar. É difícil perder quem eu acreditava - e queria - do meu lado pra sempre, por ser uma das poucas coisas mais importantes da minha vida. Eu não sei entender o que se passou em nossas cabeças. A gente era tudo um pro outro e, de repente, não existe mais nada. Eu não tenho com quem conversar durante o dia. Você não vai mais me ligar todos os dias na hora do almoço pra dizer: "Já almoçou gatinha?". Eu não vou mais ouvir sobra códigos, sistemas e SEO, que eu tanto gostava de ouvir. Eu não vou ter pra quem pedir "Curte aí minha matéria, amor!". Não tenho mais para onde ir aos finais de semana. Você não vai mais entrar pela porta no domingo pra almoçar comigo. Que dor, meu Deus. Por que a gente errou tanto? Por que você foi pra tão longe? Eu vou sentir tanta falta das nossas gracinhas, de dizer "xuper little", de brincar de agodá, dos filmes que você fazia eu assistir, de te encontrar na faculdade e ver você chegando todo feliz depois de me fazer esperar por mais de uma hora sentada (rs)... de tanta coisa, meu Deus. Das suas reclamações, dos seus portfólios, dos seus jogos e do mario kart que você morria de rir vendo eu jogar. Vou sentir falta da sua companhia, da sua graça e do seu bom dia matinal. É tanta coisa que não cabe em mim. Eu amo tanto você que eu não sei o que fazer. Eu enlouqueço um pouquinho todos os dias. Você era um pedaço de mim, a metade que me completava e o sentido para os meus dias. Eu me apaixonei por você desde aquele dia que te vi pela primeira vez, pois tive a certeza de que você seria tudo pra mim. Eu não sei conviver com o fim. Eu nunca saberei. Dói lembrar de tudo isso e não ter você do meu lado pra dizer "Não chora, benzinho, por favor." Eu sei que fui rude e grossa com o que eu disse, mas nada no mundo me faria tão bem se eu pudesse estar ao seu lado de novo. Eu sei que vivemos a vida que tinhamos que viver, no tempo que precisou durar... mas eu queria tanto que você voltasse. Eu não sei viver sem a sua vida pra me alegrar. Sem as suas músicas, sem as suas manias e seu jeito bobo de ser.
Desculpa ter falhado tanto com você. De ter sentido ciúmes. De ter chorado tanto. De ter falado tanta merda pra você. Desculpa se não soube fazer o que precisava ser feito pra te fazer feliz. Eu dei tudo o que podia, mesmo não tendo nada. Desculpa se te fiz sofrer e te lembrar do que você não queria lembrar. Desculpa pelo drama, pelas crises e pela infantilidade. Eu sei que não adianta em nada, mas desculpa por tudo. Você não é a minha maior decepção e sim, minha maior fonte de motivação e de significado para levar a vida. Eu não quero e nem sei te esquecer. Vou sentir falta do seu quarto desarrumado, da sua barba por fazer e do seus dentes branquinhos. Vou sentir tanta, mas tanta falta de você. Obrigada por tudo, meu bem. Eu não vou esquecer de nada do que fez pra mim. Do site, das dicas, do nosso primeiro e último jantar romântico que eu tanto peguei no seu pé pra me levar, dos códigos pra alinhar foto no texto, dos passeios, da pizza com refri, das corridas que você correu ao meu lado, das bandas que me apresentou, dos filmes que me mostrou... obrigada por ter vivido comigo todo esse tempo. Foi enlouquecedor, apaixonante e prazeroso viver ao seu lado. Espero um dia poder ter a chance de te ver, tocar e falar com você. É uma lágrima que vai cair pra sempre e uma angústia e vazio que ninguém saberá preencher.


​Meu amor de sempre (ou mais), 
Ana. ​

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