Adeus Ano do famigerado desgraçamento


Eu tentei evitar o textão de fim de ano, mas é mais forte do que eu. Quando as pessoas culpavam um ano por algo que deu errado, eu simplesmente não entendia. Como assim culpar um ano por você não ter conseguido aquilo que queria? Mas eu estava errada. Afinal, esse ano desgraçou a minha cabeça. E não é aquela coisa do tempo da escola, que a gente ficava de recuperação até o último minuto do segundo tempo. Ou aquele sapato novo que você usou uma única vez e estragou. Foi uma desgraça sem fim. Apesar de ter começado o ano em plena lua de mel, em uma das cidades que eu mais queria conhecer, junto com o amor da minha vida, tudo só piorou depois daí. Parece que todas as minhas decisões me levaram para este buraco que estou agora. Mas, a verdade, é que grande parte dos meus problemas foi porque não puderam ver a minha felicidade. Uma irmã que deseja o mal do irmão. Uma mãe que destrói um casamento porque acredita que o filho é seu marido. Uma chefe que xinga o funcionário de burro. Um chefe que acredita que pagar em dia o funcionário é sinônimo de "bom gestor". Tudo isso, apesar de ter vivido, não chega nem aos pés do que eu realmente passei.

Não serei hipócrita o suficiente para dizer que não aconteceram coisas boas. De fato, aconteceram. Vi alguns shows inesquecíveis. Realizei sonhos. Aprendi com os meus erros. Perdoei e me desculpei. Perdi meus amigos. Ganhei novos. Estudei. Trabalhei duro. Todo esse cliche que acontece com todas as pessoas desse mundo.

Mas a verdade é que não foi fácil. Foi, de longe, o pior ano da minha vida. Poucas pessoas sabiam do meu atual estado e de tudo o que passei. Tem gente que achava que eu estava transbordando de alegria. A verdade é que eu fiquei trancada por horas no meu quarto tentando evitar contato com alguém. A verdade é que eu fiz de tudo pelo amor, me doei, me desrespeitei, me magoei por ele. A verdade é que eu não aguentei.

Não é fácil. É exatamente o que a Marisa Monte diz na música. É o que diz meus poetas favoritos. É o que não contam nos filmes: a vida não é fácil. Ninguém nunca vai se colocar no seu lugar. Ninguém nunca vai entender a sua dor. Pode parecer piada, mas é aquela coisa: é você por você mesmo. Eu aprendi isso da pior maneira possível.

Logo eu, que me doei tanto. Que fiz o que pude para salvar alguém.

Mas a verdade é que não é fácil. Não é fácil fazer de tudo por alguém. Não é fácil aguentar calada todos os xingamentos e as humilhações que eu passei. Não é fácil ter engordado mais de vinte kilos e as pessoas tirarem sarro da sua cara e te menosprezar por isso. Não é fácil lidar com uma menina de vinte anos me xingando vinte e quatro horas por dia num site. Não é fácil lidar com uma mulher de 50 anos nas costas que compra as pessoas e arruinou a minha vida. Não é fácil ver seu pai numa cama de hospital a cada quatro meses. Não é fácil.

Dois mil e dezesseis foi o ano que tirou tudo de mim.
Tirou meus sonhos, minhas esperanças,
o amor da minha vida.

Dois mil e dezesseis foi o ano que me mostrou que eu posso não ter grana, ou casa para morar ou uma roupa da moda para usar,
mas eu tenho uma coisa que me deixa dormir em paz todos os dias: caráter.

Dois mil e dezesseis foi o ano que me mostrou que eu sou maior do que tudo.
Cada humilhação, cada dor, cada palavra de ódio e empurrão que me deram só serviram para me mostrar que eu não posso salvar ninguém

a não ser a mim mesma.

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