o lado vazio do peito;



Será que ainda dá tempo de acreditar no amor? Naquele amor capaz de borbulhar cada gota de sangue do teu corpo, como se tudo fosse "fogo que arde e não se vê"? Eu te odeio por isso. Odeio porque você tirou a única coisa boa que eu tinha em mim: esperança no amor. Porque eu acreditava. Eu acreditava tanto que o amor pudesse mudar a vida de uma pessoa. Que o amor pudesse salvar alguém quando mais nada tivesse saída.

Amar é um grito. Amar é uma eterna palavra em capslock, mesmo quando é sentido apenas bem baixinho, naquele "eu te amo" ao pé do ouvido ou no silêncio do olhar apaixonado. Eu acreditava nisso, nessa simplicidade, no plural. Que amar era recheado de planos eternos e vontades de ficar juntos. Porque eu achava que um "eu te amo" era um soco, um murro, um atropelamento indolor. Como um trem descarrilado que só saber amar. Eu amava o amor. E amava por amar. Eu acreditava que o amor era uma rua de mão única, mas que adora se tornar via dupla.

O tempo passa, o coração se gasta e eu fico esperando aquela pessoa correr pra pegar o mesmo elevador que eu. Aquela pessoa que cruzará a rua na minha frente e tornará o dia mais claro. Um cara que me traga uma bebida numa noite. Ou um moço que me olhará a alma durante um show da minha banda predileta. Mas eu me tranca em casa, sem entrar em elevadores, ruas, festas ou shows.

Eu me tranco atrás desse muro que construí no meu peito. Eu preciso parar com essa mania de colocar os problemas em uma mala e sair carregando por aí como se eles fossem essenciais. Não são. Aliás, tudo que te faz mal é completamente descartável.

Não consigo acreditar mais em nada. As pessoas enganam e machucam. O amor dói. Amar dói pra caralho. Olho para o céu. Converso com essas letras mudas que mal traduzem a histeria das minhas saudades tuas. Continuo acreditando que alguém conseguirá ouvi-las. Há um aperto enorme em meu peito. Vez em quando, é ate difícil respirar. Lágrimas saem como transpirações. Respostas deste corpo que exige a presença de alguém que me faça acreditar, novamente, que o amor ainda vale a pena. 


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