Meio a meio, prazer.

Gosto de olhar a rua e cada pessoa que passa por ela. Digo oi pra vida todos os dias pela manhã, mas às vezes eu esqueço e só vou dizer quando já é de noitinha. Não entendo nada do que eu vim fazer nessa vida. Faço porque quero, porque tenho vontade. Não sei metade de todas essas verdades que dizem por aí, mas vivo. Sinto um prazer absoluto de estar aqui. Gosto de ficar pra ver um filme ou uma série, não me chame pra sair. Tudo bem, só as vezes. Sempre acendo meu celular antes de dormir, pra escrever algo em vão ou pra não esquecer algum devaneio super inusitado. Fecho meus olhos lentamente, a insônia aqui predomina. Demoro pra pegar no sono. Até demais. Dizem que minha imaginação é fértil, que faço e refaço sonhos, idéias e conceitos, mas pra falar a verdade, eu não me vejo como sonhadora. Eu não sigo muito a emoção. Gosto de pintar as unhas, mas tenho uma puta preguiça. A única coisa que eu sei desenhar é um navio e não sei por quê. Amarelo tem sido minha cor ultimamente. Só não me dê nada cor de rosa, eu vou recusar e fazer desfeita. Não gosto e não faço charme. Eu queria plantar um jardim, por a mão na terra e cortar as raízes de todo esse mal olhado, mas eu não me mexo nem pra pentear o cabelo quanto mais mudar a direção do nascer de uma flor. Sempre reparo nos tênis das pessoas: é aquele negocio de primeira impressão é a que fica. Sei lá, coisa boba. Queria raspar meu cabelo careca, com a zero, mas eu ia ficar feia pra dedéu. Cruzes. Não acredito na sorte, mas eu tenho uma camiseta verde escrito “toca Raul” que sempre que a coloco, acontece uma coisa boa. Passado é passado, eu sei, já superei meu bem. Adoro frio na barriga ou aquele arrepio descendo pelos braços e pernas até fazer meu pé formigar. Gosto de ficar quieta, observando. Mas gosto de falar. Só não tenho com quem conversar. Política, religião e música tem sido meus assuntos, mas meu Deus, ninguém quer falar sobre isso. Acho os gordinhos uns lindos. Os engravatados uns charmosos, mas ah, os nerds, como eu amo. Óculos e barba por fazer. All Star. Meu sonho era trabalhar na AACD por causa do meu vizinho que eu ensinei a escrever, mas não sei se um dia eu conseguirei. Me apaixono por quem tem bom gosto. Sinceridade é sim meu ponto forte. Tenho orgulho ferido, paixões mal resolvidas. Prefiro ser discreta, não gosto muito de ser notada. Credo, não é assim também. Só não gosto de chamar atenção. Não viveria sem lógica, física e literatura. Não gosto de todo mundo. Eu queria ter aproveitado o meu ultimo ano da escola, mas sempre me lembro daquele acidente na Imigrantes e das crianças esperando nossas doações. Má recordação. Não tenho humor de manhã. Trabalho num porão, não como puta, mas como auxiliar de escritório. A famosa secretária. Sempre me sinto sozinha nos domingos. Eu falo pra caralho quando quero. Mas minha timidez também grita alto, de vez em quando. Não to nem aí. Vejo tudo ao meu redor. Queria ser uma escritora famosa, mas não estou muito afim de falar de “como sobreviver a um amor do passado” ou “liberte-se em dez lições”. Escrevo de vez em quando também, leio sempre o que o Iuri escreve sempre esperado algo pra mim, mas algumas coisas dele não fazem tanto sentido assim. Já outras, fazem sentindo por total. Gosto de você, gosto de mim. A sua fala ficou em minha mente, seu riso em meu dia. E eu já não sei de quem eu estou falando. Ando cansada demais, sem paciência pra pensar em finais. Quer você queira, quer não. Estou pra lá, nesse ciclo de sentimentos que nunca me completam e que tão pouco tem um final.

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