De um blues vibrante.

Eu vou me deitando ao pé da cama com a intenção de tirar o prazer dos meus pensamentos. O botão vai ficando cada vez mais difícil de ser aberto e eu vou me perdendo no sentido em que minhas mãos tentam acompanhar meu compasso. Não seria a mesma coisa se estivesse aqui, rente ao meu cheiro, deixando escorrer a alça esquerda pelo ombro ou apertando levemente minha nuca em sua mão. Se eu me atirar ao chão, por mais desconfortável que pareça, meu conforto seria presente ao teu desperdício, exalando toda e qualquer vontade repentina de prazer. Continuo rodopiando em um só pé, no blues que parece nunca ter fim. O vento frio que entra na fresta da janela aberta, faz estremecer o meu umbigo e a ponta da orelha, permanecendo junto a mim para assistir e me fazer crer nesse estado de céu e loucura. Se contorno meu corpo, não é por vontade própria. Se solto um riso fino e fresco, não é por solidão. É por pura vaidade sua. Esqueceu das horas e se enrolou no próprio prazer. Ah meu bem, nada justifica o meu querer. Muito menos meus delírios. Sinto essa mão desembaraçando meus cabelos, o hálito me aquecendo e o orgulho me satisfazendo. A outra alça acaba por cair e eu vou lentamente desacelerando minha respiração, nesse corpo suado com a tua sina por honras. É como se as pernas continuassem a tremer, mas eu termino de pintar as unhas e desligo o modo automático que eu havia o deixado. E se despede de mim com esse teu beijo na testa e o vão das mãos a ser preenchido.

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