Bobagem qualquer

Como se eu pudesse conter os olhos diante dos teus, disfarço mas não é de bom grado. Mesmo depois daquela foto de mulher em seu computador era como se o mundo desabasse e voltasse a rodar enquanto tirava os sapatos. Às vezes, penso na minha impulsividade de estar no teu corpo mas o que seria impulso nessas horas? Tanto faz, eu realmente precisava começar o ano bem. Não tão bem assim, mas esse teu jeito de conquistador barato e de forma peculiar de ser, de sempre achar defeito na minha cara ou na forma que renego uma palavra, não me deixou outra escolha. Eu tenho de ser assim. Você queria o quê? Alguém alimentando o seu ego ou jogada aos seus pés? Eu sei, perco minha concentração enquanto prendo as pernas nas suas. Não é só mais um arranhão em tuas costas, mas a vontade de fazer pouco caso com teu suor e estremecer todo resto da minha pobre ingenuidade. Me perco nesse teu beijo no seio descoberto de toda pureza escondida e tão pouco estendida. Mas calma, não é só de prazer que levanta meu bom estado. Sinto uma disposição tremenda ao ficar a tua frente, quando finalmente acerta meu gosto. Nesse auge de satisfação, me afasta de você e deixa a desejar. Me queima com a saliva, fervendo toda a minha peversão. Tento virar de lado, pra não transparecer meu riso, mas é quase impossível: os olhos tornam a giram em compasso avançando num desperdício de calor. Deito no teu peito involuntariamente, sem me fazer perceber que eu realmente queria aquilo, mas meu corpo sempre me puxava pro outro lado. Me deixo levar ainda mais nessa culpa e pecado que vaga em minha mente enquanto fala uma palavra qualquer que eu não consigo prestar atenção. Juro que queria me concentrar nessa dança que perfeitamente me guia, mas eu quero ficar quietinha, com você dentro de mim, suspirando a minha estupidez de achar que queres ficar ali. Mas que bobagem, simplesmente estava ali. Entregue a tua e a minha satisfação, sem me tocar, dissipando sem pressa o meu querer.

CONVERSATION

2 comentários:

  1. ótimo texto!
    é sempre assim, querer e orgulho. nunca se sabe de onde é o maior, até que os dois, fantasiosamente, se equilibram.

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