Olhos nos olhos

Quando nos conhecemos, eu soube, naquele dia, que no decorrer das minhas horas, você seria o motivo para que as coisas dessem certo. Meus ombros caíram com o simples cumprimento com o acaso me fazendo acreditar que a vida ainda podia me dilacerar. Só pude ver o tamanho do meu erro, semana passada, quando passava por você no meio de uma escuridão de sentidos e pessoas. Num instante, eu via você me olhando com sutileza e carisma sem tamanho. No outro, eu só te vejo desviando o mesmo olhar de mim. Nessa hora eu me beslico pra saber se é realmente você que eu estou vendo do outro lado da rua, sem saber o porquê dessa sua negação. Eu não queria ouvir nada de você, não queria esperar muito menos dar um passo sem ter caminho para andar. Eu só queria poder olhar no meio da minha rotina e meu corpo cruzar com o teu, não com pevertimento, mas com destino. Era vontade de te achar no mesmo lugar, sem ter que te procurar. Eu te quis, na medida que era possível. Mas não querendo mais do que podia me oferecer. Não era pra fazer nada por mim. Não queria que me ligasse, que corresse atrás ou que me desse sinal de vida. Quando nos conhecemos, eu me lembro muito bem, de ter te visto do lado de fora e quando eu pisquei você estava do meu lado. Seu olhar era tão contagiante que eu não consegui prender o riso. E foi assim todos os dias que passaram, quando eu me lembrava de você e quando eu me debrucei na minha rotina pra te ver passar. A graça invadia meu rosto enquanto lembrava de você me sorrindo com os olhos. De quando você prestou atenção no que eu tinha pra dizer, sem me pedir pareceres. Eu não quis nada além da sua companhia. De sentar na mesa do bar e dar risada, de te olhar, de sentir aquele friozinho na espinha e de não ter mais nada depois disso. Nada além de uma sensação boa. Quem disse que eu precisava de mais alguma coisa? Na verdade, eu não precisava disso. Eu só queria que tivesse sido diferente. De não me sentir culpada por você desviar o olhar. Das minimas vezes que você deu sinal de vida e eu ter sentido uma felicidade sem tamanho. Seria mentira da minha parte se eu nao sonhasse com teus dedos ainda umidos percorrendo os meus ombros em busca de um gemido baixo. Ou de seus labios beijando minha boca da maneira que sabe fazer. Seria mais fácil ainda admitir que não penso em você todos os dias e de que não te procuro no meio a multidão. Eu queria ir dormir sem pensar no que a gente podia ter sido. Eu só queria, na realidade, que a dor que eu sinto quando me nega um olhar parasse de doer. Eu só queria afirmar, como na música, que nos seus olhos encontrei uma razão. Eu não suportarei de novo. Eu não vou superar.

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