carta aberta para aprender a sobrevoar meu abismo



Eu sou uma idiota da pior espécie. Isso todo mundo já deve ter reparado. Uma pequena parcela de um monte de nada. Uma parte inteira de vários porquês, onde e como. Sinto medo. Não só medo de ir a banheiros desconhecidos. Medo de gostar. Eu sou covarde. E sou tola demais para achar que uma história não pode ser melhor do que outra. Eu tenho medo de gostar, de ir com tudo, de me doar, de ser tudo o que sou, de dar tudo o que sinto, com tudo o que tenho para dar. Medo de deixar de ser um fracasso como romântica. De parecer piegas, incansável, sonhadora e utópica. Escrevo porque preciso refazer meus planos. Acreditar no possível e no provável. Acreditar que o amor pode mudar a vida de alguém. De ir até o fim do mundo, todos os dias, com quem merece um pedaço do meu coração. Mas eu tenho medo. Medo de me doar. De doer. Da mentira. Medo de cair e me quebrar de novo. Quantas vezes eu já me obriguei a me reerguer? Até a última gota, sempre recomeçando. Mas eu não quero recomeços. Quero começar. Dizer que amo e escutar de volta. Tem alguma dificuldade nisso? "Sim, eu preciso de você. Sim, só existe vida porque você está nela". É tão simples. O amor pode ser tão simples. A vida pode ser tão melhor. Basta amar e não temer viver. Basta viver e não temer amar. Mas eu tenho medo. Medo de me esconder, de fingir que não amo, que não me importo, que sou intocável por fora, mas destrutível por dentro. Tenho medo de ser rude só porque a vida foi rude comigo. Quero poder sentir. E ir. Querer e tentar. Eu preciso esquecer as frases que me machucaram tanto como se elas fossem leis universais. Eu não sou nada do que me disseram, então não posso perder o que eu sou só porque tanto querem. Eu quero escolher viver em minha sanidade, na minha própria felicidade. Não quero correr atrás. Quero ir pra vida. Ser a vida de alguém. Olhar os olhos de alguém quando eu acordo. Eis o segredo. Eis a fórmula: sobrevoar e viver a vida. É isso que tem que me bastar. Tratar da vida. Dessa puta coisa louca chamada vida. Isso tudo pra me lembrar que sou uma idiota da pior espécie. Pequena parcela de um monte de nada. Já havia dito. Mas repito a mim mesma só porque eu não soube dizer para você ficar quando eu mais queria suas mãos quentinhas em mim.

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