sobre este e tantos outros desencontros



hoje de manhã acordei pensando em desistir, até porque as pessoas têm o dom de me esquecer. desistindo ou não, acredito que não faria tanta diferença. mas aí você deu um sinal de vida e começou a me escrever. embora aflita, talvez eu estava sentindo o que você disse ter sentido há dois anos atrás quando eu me casei. embora com medo, eu sabia que você precisava desafogar o seu coração e as palavras não ditas. mas depois que você parou de falar, veio a minha necessidade de ser ouvida. de te dizer tudo o que eu esperei anos pra dizer. e aí, eu lembro mais uma vez o quão covarde eu sou. era pra ter dado certo, né? era pra ter dado tão certo. hoje eu olhei para trás e me deu vontade de me estapear por não ter levado o teu sentimento a sério. você me lembrou da despedida. e eu lembro de fechar a porta do seu carro com os olhos cheios de falta do futuro e de esperança, porque eu sabia que não nos veríamos novamente. eu sorri com a ironia costumeira e com o canto da boca disse que não era uma despedida. seus olhos baixaram, eu perdi de vista a sua pintinha no rosto, como se você voltasse a ser criança e alguém tivesse destruído suas esferas do dragão só porque gosta de brincar de te machucar. podia ter dado tão certo. hoje eu olhei para trás e me deu vontade de me estapear por não ter levado o meu sentimento a sério. eu lembrei da vez que você fumava no canto do quarto, após atender uma ligação, e de como o frio queimou cada parte dos meus órgãos. eu senti o mesmo arrepio, mas dessa vez com uma dor estranha. uma lágrima caindo com dor. senti meu corpo amolecer e meu coração ficar vazio. você me disse coisas que eu não esperava ouvir. minha mente só pensou em dizer que te queria. eu queria você. talvez alguma coisa de momento, ou uma puta dramatização romântica, ou ainda frase de filme besta ou ainda aquela tática para eu aceitar a perda. mas, sabe, eu acreditei. eu acreditei que você pudesse voltar. eu acreditei nas suas frases, na melodia da sua voz, nas sílabas, nos seus olhos, nas conversas, no futuro que eu achei que um dia chegaria e nunca chegou, no passado tão curto mas que me fez tão bem. a vida dói. eu sei que dói. dói não conseguir falar. dói não ter conseguido ser feliz. mas aí você me deu um sinal de vida. mas a gente precisa correr o mundo e ir atrás do inimaginável. e inacreditávelmente (como dito) não sei se estarei aqui. a gente foi um desencontro que podia ter dado tão certo.

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