daquelas coisas que ficam



Preciso confessar que não tirei meus olhos de você. Não deu. Teve alguns segundos que o vento batia em meus braços e eu conseguia sentir sua pele quentinha perto de mim. Fechei os olhos e a multidão parecia não existir. Eu só conseguia ver você. Eu só conseguia imaginar como teria sido a minha vida se eu tivesse te dito tudo o que eu precisava te dizer.

Acho que todo mundo nasce com as tais expectativas. Elas nos tiram o sono, causam olheiras, fazem calo no coração. E eu infelizmente sou uma pessoa que tento, mas crio expectativas demais. Talvez o erro seja realmente meu, entende? Talvez eu tenha esperado que você tivesse consideração. E você teve. Teve e eu achei coisa demais. Talvez eu não esperasse que você me virasse as costas. Você já deve ter se perguntado: o que ela queria? Nada. Eu não queria agradecimentos públicos, presentes caros, anúncios no jornal. Só queria sentir uma sinceridade estampada no seu peito. E ela veio depois. Mas esse depois doeu, como doeu em você, acredito.

Você sabe. Acho que sempre soube. Eu tinha medo de gostar de alguém, de me envolver, de me mostrar sem disfarces. Amar dá um medo danado. De perder a liberdade, a identidade, de se machucar, de não saber mais voltar.

Eu queria poder negar, me atirar contra o primeiro ônibus ou tomar algo mortal, mas até deixando de existir eu não conseguiria me desfazer da marca que você deixou no meu corpo, alma e coração.

E isso só pode ser amor.
(desculpa)

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